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Muito já se ouviu falar em Nelson Akira
Sato (Dono da Sato Company, e não
por acaso, um dos homens que mais contribuiu para o tokusatsu
no Brasil), e hoje com a colaboração do entrevistador Luiz Guedes, o empresário abrirá
o jogo e revelará os segredos dos bastidores e estratégias
de mercado de suas séries!
Guedes
- Como e quando surgiu o seu interesse em trabalhar com séries
japonesas? O Sr. diria que foi influenciado pelo sucesso do Toshihiko
Egashira, da EVEREST VIDEO/TIKARA FILMES?
Nelson Sato - Minha história se confunde muitas vezes
com a do Toshi, que éramos jovens orientais no mercado
de vídeo, primeiro como donos de locadoras, depois como
distribuidora. Na realidade fundei a Brazil Home Video
em 1985 e fomos os primeiros a negociar com a Toei co.
e alançar desenhos no Brasil, inclusive antes da Disney.
Isto foi em 1985. Trouxe nesta epoca alguns desenhos long a
metragem. Depois da volta desta minha primeira viagem de negócios
ao Japão,
recebi a visita do Toshi que também me disse que iria começar
uma distribuidora e gostaria de saber com quem eu negociava na
Toei, etc. Como amigo lhe dei as informações e depois
disto o Toshi viajou e tambem comprou produtos na Toei.
Guedes -
Houve alguma série da TOEI ANIMATION que o Sr. quis comprar,
mas não conseguiu? Por isso recorreu para series da TOHO
COMPANY, no caso,os CYBERCOPS?
Nelson Sato - Nesta
visita do Toshi, falei a ele que fiquei muito impressionado com
o sucesso de seriados Live-Actions (tokusatsu) no Japão,
em especial Jaspion que estava no ar naquele ano, com diversos
brinquedos e parques tematicos, shows, etc...falei para ele: imagina
se isto existisse na nossa infancia, quando gostavamos de "National
Kid", "Ultraman"!
Acho que o bate papo com o Toshi o incentivou também nesta
idéia. Como a Toei acabou fazendo negócios com o
Toshi num projeto que eu também havia imaginado, acabei
ficando chateado na época com o Toshi e Toei e fui atrás
da Toho para fazer o mesmo negócio, com um produto
novo: CYBERCOP .
Guedes - Conte-nos sobre
o Show dos Cybercops. Como surgiu a idéia de se fazer shows
com os herois no Brasil? Foi difícil conseguir trazer as
armaduras para o Brasil?
Nelson Sato -
A idéia não era original. No Japão já
se faziam shows com os personagens. O circo foi uma adaptação
deste tipo de evento no Brasil, inclusive para popularizar os
personagens. Neste ponto o Toshi também já tinha
feito com seus seriados e também mostrou ser eficiente.
Trazer as vestimentas nao foi fácil, pois tivemos que negociar
com a produtora e distribuidora, alem do problema de peso. Foram
mais de 600 kgs de vestimentas!
Guedes - Quem escreveu
e quem dirigiu o show dos Cybercops? Por que não mantiveram
as vozes originais,
os mesmos dubladores, na hora de montar o show? Por quanto tempo
durou o show e porque não houveram turnês pelo Brasil?
Nelson Sato -
Quem escreveu foi Julio Kishinami filho e quem dirigiu
foi Adriel de Almeida. Não usamos as vozes originais
por problemas com os dubladores, que além de pedirem mais
do que a tabela normal de dublagem, queriam participação
na bilheteria. Não achei correto e coloquei outras vozes.
A turnê ficou somente no estado de SP devido a custos.
Guedes - Na época
da exibição dos Cybercops na Rede Manchete, a série
era constantemente reprisada.
A emissora exibia a série do episodio 1 ao 10,depois reprisava
novamente e exibia do 1 ao 11, depois do 1 ao 12, 1 ao 13 e assim
sucessivamente. Essa foi uma estratégia/imposição
sua para que a série pudesse durar mais tempo no mercado?
Nelson Sato -
Foi. Como a série tinha somente 34 episódios, usei
desta técnica para esticar a vida da série. Apesar
das críticas, acho que funcionou.
Guedes - Porque, mesmo
com o sucesso da série dos Cybercops, os últimos
episódios não foram exibidos
na extinta rede manchete?
Nelson Sato -
Esta foi uma estratégia de marketing para gerar comentários
e desejo... Funciona até hoje! Logo Cybercop teria condiçoes
de retornar com muitos ainda desejando ver o final!
Guedes - Ano passado surgiu
um video de um fã, Rodrigo
Idalino , vestindo as armaduras originais dos Cybercops! Tal
vídeo fez bastante sucesso na internet! Agora eu lhe faço
a seguinte pergunta; Porque as armaduras estão em um estado
lastimável? Capacetes quebrados, botas moídas, peças
faltando! Porque não houve um cuidado maior em se conservar
essas armaduras? O Sr. as venderia ou alugaria para eventos de
anime/tokusatsu? Porque não as reforma?
Nelson Sato -
Como você soube, trouxe as vestimentas originais usadas
no filme, logo já vieram usadas e com desgastes. Quando
fizemos os shows no brasil ocorreram mais desgastes e má
manutenção (um dos motivos que também me
fizeram desistir da continuidade dos shows). A fase que pensei
em vender já foi. Agora vou deixar para meu arquivo pessoal.
Guedes - Em entrevista, Rodrigo Idalino
disse que o Sr. ainda guarda muitas coisas relacionadas a série
dos Cybercops. O que mais chamou a atenção dos fãs
foi a presença de bonecos originais japoneses em sua casa.
Na época havia interesse seu em trabalhar com produtos
importados?
Nelson Sato -
sim. A idéia era importar os bonecos produzidos pelas fábricas
japonesas que tinham uma qualidade incomparável, mas infelizmente
os custos na época inviabilizaram a ideia....
Guedes - O Sr. ainda possui
os direitos de series como Cybercops, Super Human Samurai, Ultraman,
National
Kid?
Nelson Sato -
Represento algumas séries e tenho o primeiro direito a
renovação de outros!
Guedes - Em
95/96 o que o levou a trabalhar com séries tão antigas,como
ultraman e National Kid?
Nelson
Sato - O mercado
de saudosismo. Da mesma forma que hoje os fãs sentem saudades
do Cybercop, minha geração sentia saudades de National
Kid e Ultraman!
Guedes - Na sua visão
de empresário, qual o fator que levou o gênero Tokusatsu
a cair em decadência?
Nelson Sato -
Tudo que é demais cansa. Devido ao sucesso que obtivemos
, todas emissoras buscaram por seriados japoneses! Teve ano que
tínhamos 13 seriados no ar! Acabou desgastando o produto...
Guedes - A série
dos Cybercops conseguiu fazer milhares de fãs pelo brasil.
Mesmo fora da mídia a anos ela ainda é cultuada
por diversas pessoas, com comunidades no orkut com mais de 60
mil menbros! Porque o Sr. não volta a trabalhar com ela
novamente? Existe alguma possibilidade do lançamento dessa
série em DVD? Caso o Sr. não tenha interesse, venderia
os direitos da dublagem para terceiros?
Nelson Sato -
Sim , existe a ideia de lançar em DVD, mas ainda sem data
definida... A pirataria é muito alta e o investimento elevado!
Guedes - Na época
que adquiriu os direitos dos Cybercops, porque o Sr. não
comprou os episódios 35, 36 e os especiais para vídeo?
Nelson Sato - Para mim não fazia sentido comprar episódios
que eram "os melhores momentos"...pensei também
em fazer o mesmo com o programa no Brasil, usando a apresentadora
na época e também receber cartas, fazer comentários,
etc...
Guedes - Conte-nos como
os dois últimos episódios DUBLADOS, nunca antes
exibidos na TV, foram liberados
para os fãs. O Sr. cedeu uma cópia dos últimos
episódios para alguém?
Nelson Sato - De tanto os fãs me pedirem, numa época
resolvi atender o pedido e liberei um VHS.... Deve ser este que
alguns já puderam ver...
Guedes - É sabido
que as séries vinham em pelicula que depois de dubladas
passavam para fitas beta MASTERS. o Sr. ainda guarda todos esses
materiais? Qual o real estado desses materiais de séries
como Cybercop, National Kid, Ultraman, Super Human samurai, Samurai
Warriors?
Nelson Sato - As
séries vinham em fitas Beta, Umatic, ou 1 polegada, nao
em película! Sim, ainda guardo as masters e estão
em perfeito estado de uso!
Guedes - Como empresário,
o Sr. acha que séries consagradas como Cybercops, Jaspion,
Changeman, Black Kamen
R ider e etc trariam retorno caso fossem lançadas em DVD?
Acredita no potencial delas nos dias de Hoje? O Sr. acha que existe
mercado para isso, nem que seja apenas em DVD?
Nelson Sato - sim,
sem dúvida!
Guedes - Em meados do ano
2000, estreava na CNT o programa Sessão Super-Herói!
Como surgiu esse projeto? O Sr. bancou sozinho a produção
desse programa? É verdade que a apresentadora era a sua
filha? Porque o programa não vingou?
Nelson Sato - Com
a falencia da TV Manchete , fomos buscar outras emissoras para
dar continuidade ao nosso trabalho e acabamos fazendo este programa.
Banquei sim o projeto e a apresentadora era minha filha, Jacqueline
Sato. O programa não foi em frente porque a cobertura da
CNT era baixa... Em SP virou UHF (tinham encerrrado a parceria
com a Gazeta...) E não houve retorno comercial...
Guedes - Em 1980, quando
o Toshi saiu do brasil e foi para o Japão como bolsista
e se interessou em relançar o gênero Tokusatsu por
aqui, várias empresas não acreditavam no potencial
das séries que ele queria trazer! Diziam que elas eram
um "National Kid moderno" e que essas séries
não iriam mais vingar. O Toshi acreditou e trouxe essas
séries sozinho. Em pouco tempo elas estouraram na televisão!
O Sr. não acha que estamos vivendo uma época parecida?
O Sr. não pensa em trazer um novo Jaspion, um novo Cybercop
para o Brasil? Séries desse gênero ainda fazem sucesso
lá fora e já são conhecidas entre os fãs
que baixam as novas produções via internet. Por
que não trazer as novas produções japonesas
desse gênero?
Nelson Sato - Depende sempre das oportunidades e sensibilidade
inclusive e principalmente das emissoras..
Guedes - O gênero
SUPER SENTAI, nome este atribuído a series com quinteto
colorido, vide Changeman, Flashman e Maskman foram compradas pela
Disney. Logo as novas séries Super Sentais produzidas no
Japão são adaptadas e transformadas em POWER RANGERS.
O Sr. Saberia dizer se mesmo com o contrato existente com a Disney,
a TOEI venderia um seriado Super Sentai original para o Brasil?
Nelson Sato - A prioridade depois do sucesso Power Ranger
é da Disney, que compra os direitos mundiais!
Guedes - Com o sucesso
da adaptação dos Power Rangers em 1993 pela SABAN
ENTERTAINMENT, várias outras séries japonesas foram
adaptadas e refeitas nos moldes do padrão americano. O
Sr. adquiriu SUPER HUMAN SAMURAI,
que é uma adaptação americana da série
japonesa GRIDMAN. Porque o Sr. não trouxe a série
original, no caso, GRIDMAN? Houve algum impedimento?
Nelson Sato -
Da mesma forma, a DIC Inc. dos EUA adquiriu os direitos mundiais
do Gridman. Quando quis comprar, tive que negociar e comprar a
versao americanizada.
Guedes - Atualmente você
adquiriu o anime Let's & Go! O que o levou a trazer esse anime?
Qual o retorno que você espera com esse novo projeto? E
quais os seus projetos futuros?
Nelson Sato - Acredito que o anime tenha bom potencial por ser
ligado a carros, já que desde Speed Racer nao
se via algo neste segmento. Projetos futuros? Isto é segredo
comercial!!! O atual está sendo Naruto no SBT!

Guedes - E pra finalizar,
o Sr. se arrepende de ter feito ou de não ter feito alguma
coisa em relação a essas séries? Que balanço
você faria da sua trajetória como empresário
desse meio? Que conselho você daria para uma pessoa caso
ela queira entrar nesse mundo de negócios para trabalhar
com essas séries?
Nelson Sato - Nao me arrependo de nada. Me sinto muito feliz
em ver que um trabalho que fizemos (Toshi e eu) acabou desenvolvendo-se
primeiro aqui no Brasil, algo que somente depois a Saban
fez. Trouxemos um pouco da cultura contemporânea do Japão
e que hoje diversos segmentos seguiram. Desde eventos (Animecon,
Animefriends, etc), produtos licenciados, segmentos em TVs a cabo
(Jetix, etc), DVDs, revistas e editoras, etc...realmente gratificante...
Aos que pretendem iniciar, meu conselho: acreditem em seus sonhos
e lutem para realizar!
Guedes - Com total exclusividade
que apresentei para os Tokufãs uma entrevista inédita
com Nelson Akira Sato, dono da SATO CO. Foi com muito carinho
que Nelson Sato me cedeu essa entrevista. |